Nota 12

 

Fragmentos do prólogo (dramaturgia de Henrique Gusmão), ecos de Borges:

Bom, como todos podem ver na programação do evento, eu irei falar sobre a Missão Brazil Subterrâneo, a BUM (Brazil Underground Mission). Ainda nesse ano de 2034, a Missão irá partir para o interior do país em busca de seu objetivo maior e eu irei apresentar, para vocês, um pouco da história desse projeto e da forma como o professor Sanchez se relacionou, nas últimas décadas, com a Capela Sant’Anna. Essa história começa há quase quarenta anos, quando o professor estava pesquisando no estado do Pará.

 

Ao longo desses quarenta anos, então, diversas informações dispersas foram reunidas, o que nos possibilita, hoje, levar adiante a Brazil Underground Mission com o apoio e financiamento do International Institut. A referência à Capela Sant’Anna mais antiga encontrada pelo professor Sanchez está presente num documento do século XVI, de 1583, quando o Brasil era governado pelo monarca espanhol Felipe II. Logo nesse início do período de união das coroas portuguesa e espanhola, sob o domínio de Filipe II, o monarca buscou delimitar algumas regiões de seu território para evitar conflitos entre os colonos, e, para tal, produziu uma série de bulas e decretos de demarcação. Num desses, está indicado que a prática de navegação num determinado rio era permitida trinta léguas acima da Capela Sant’Anna.

 

Nos diversos tratados realizados entre portugueses e espanhóis após a Restauração, a partir de 1640, nenhuma referência à capela é mais feita. O século XVII é o período em que a capela é mais citada em documentos. Diversos foram os bandeirantes que fizeram referências a ela: Baltasar Fernandes, Lourenço Carlos Mascarenhas e Araújo, Manuel Preto, Salvador Fernandes Furtado, todos eles fazem alguma menção à capela em seus diários ou escritos. Observando-se, através de mapas antigos, a trajetória dos principais exploradores do interior do Brasil nesse período, podemos perceber que todos eles, em algum momento, atravessam a região onde acreditamos que a capela estava localizada.​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​

 

© 2019 por Revista Ensaia

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