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Nota 15

 

Estado atual do processo cênico: os espectadores, em seguida ao prólogo, entram em uma sala escura. Entro na pequena sala da casa de fazenda em Lumiar. Paredes brancas, portas e a janela ao fundo: azuis. Azul cristão (sou informada por uma moradora do lugar. Eu penso: o manto de Maria). Após alguns segundos ouvimos um ruído de motor de um carro que se aproxima e para. Lá fora, uma tempestade. A janela ao fundo da pequena sala se abre. Os atores entram devagar, um de cada vez. Estão vestidos com um macacão branco, botas, em seus punhos estão aparelhos celulares fixados e também pequenas lanternas.  Na cabeça, um daqueles chapéus de apicultura com tela. Seus lentos movimentos,  de uma leveza quase flutuante, aludem a um espaço sem gravidade, ou mesmo a um espaço envolto em substância líquida (atmosfera extra-cotidiana). Investigam o lugar. Cada um, aos poucos, vai se detendo nas paredes da salinha, buscando averiguá-las. Imaginamos as pinturas. Ao toque das mãos, músicas e sonoridades saem dos celulares. O espaço pipoca de breves sons. Lá fora, um desmoronamento que os deixam presos neste lugar fictício da Capela. Em dado momento, eles se deitam no chão. Adormecem. Blackout. Os atores iniciam partituras individuais ou em dupla que figuram manifestações oníricas dos sonhos sonhados por cada um deles. Entendemos, assim, que outro nível narrativo atravessa o primeiro plano do real: efeitos da Capela Sant’Anna?

© 2019 por Revista Ensaia

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