Nota 2

 

O Studio Stanislavski e sua diretora, Celina Sodré: companhia experimental do teatro carioca que se fundamenta na criação colaborativa. O termo “experimental” é entendido aqui em semelhança ao que Jerzy Grotowski apontou a respeito do trabalho do Teatro Laboratório: “nossas produções são investigações do relacionamento entre ator e plateia” (GROTOWSKI, 1971, p. 2). A configuração do Teatro Laboratório - Instituto de Pesquisa sobre o Método do Ator, dirigido por Grotowski, se dá em 1965 com a transferência do grupo de Opole para a cidade de Wroclaw, capital cultural da Polônia Oriental.  Este é um período fundamental para o desenvolvimento da pesquisa sobre a arte do ator e da poética defendida em seu texto “Em busca de um teatro pobre”. A aceitação internacional do trabalho desenvolvido pelo Teatro Laboratório também se dá em tal período com os espetáculos Akropolis, O Príncipe Constante e Apocalypsis cum figuris (KUMIEGA, 1989).

 

O Studio Stanislavski surgiu em 1991, ocasião em que Celina retornou de uma estadia na Itália, dando continuidade aos procedimentos que já vinham sendo desenvolvidos por alguns atores ligados à linha de atuação da diretora, influenciados pelo método das ações físicas de Stanislavski.  Não cabe no espaço desse texto realizar um esclarecimento ou mesmo qualquer análise sobre o método das ações físicas de Stanislavski. Porém, de modo muito sucinto podemos dizer que Stanislavski sistematizou procedimentos para o ator relacionados a certa concepção que o entendia como realizador de ações visíveis (físicas), frutos de fluxos invisíveis (psíquicos).

 

Foi um importante alicerce da companhia a investigação em torno dos trabalhos e das ideias de Grotowski. Os aspectos formativos sempre estiveram em questão na carreira de Celina – professora no curso de formação profissional de ator na Casa das Artes de Laranjeiras desde meados da década de 1990 e também na Faculdade CAL de Artes Cênicas, inaugurada em 2012. Atualmente, além de seu trabalho na CAL, é professora substituta no curso de Direção Teatral da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em 2014, Celina completou seu doutorado com uma pesquisa em que tratou de colocar em diálogo a fala de Grotowski no Collège de France, em 1997/98, na série das nove conferências intituladas: A Linhagem Orgânica no Teatro e dentro do Ritual, e a sua própria fala no Instituto do Ator, no Grupão Grotowski, projeto que teve início em novembro de 2009, acontecendo todas às quintas-feiras das 21 às 23 horas. O formato do Grupão é de um seminário permanente, gratuito e aberto à participação da comunidade carioca. A dinâmica do trabalho consiste na leitura das conferências (transcritas por Celina da gravação original em francês e traduzidas ao vivo) e debate dos conteúdos.​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​

 

 

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