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Nota 25

 

Questão para a encenação: como produzir uma traduzibilidade da relação entre consciência e clarividência (nos termos do grupo) para a materialidade da cena. Um primeiro olhar para o processo aponta que nenhuma espécie de manutenção seja aceita, que os aspectos de repetição e acomodação das camadas que compõem a cena não se apaguem. Existe o desafio de não partir de uma obra já feita, de não haver uma obra na qual se investigue sua não-completude. Como fazer aparecer os tempos distintos em simultaneidade nas partituras dos atores, naquilo que Celina chama de “partituras oníricas”.

 

Jacques Rancière destaca dois modos de constituição das imagens artísticas que me parecem importantes para pensar os rumos da encenação de Brasil Subterrâneo. O autor distingue a montagem dialética da montagem simbólica. Na primeira, as ordens heterogêneas são colocadas em choque colocando em cena “uma estranheza do familiar, para fazer aparecer outra ordem de medida que só se descobre pela violência de um conflito”. Nesta operação, os semelhantes se distanciam e os diferentes se atraem em uma equação que potencializa seus modos de apreensão para a elaboração de novos modos de inteligibilidade do mundo conhecido. A montagem simbolista “constrói pequenas máquinas” relacionando elementos heterogênios de modo simbólico mais próximo do que entendemos como o mistério (RANCIÈRE, 2012, p. 67). Esta última seria regida por operações de analogia.​​​​​​​​​​

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