Nota 9

 

Primeira proposta da nova estrutura dramatúrgica em experimentação feita por Celina: um grupo de pessoas/cientistas em um futuro distante realiza uma expedição científica para encontrar um lugar perdido. Este lugar existe apenas em algumas esparsas referências históricas. No Brasil existiria uma suposta “Capela Sant’Anna”, em cujo subterrâneo estariam pinturas incrivelmente belas e dotadas de poderes mágicos. Tal história será contada aos espectadores em um prólogo, provavelmente por meio de um vídeo. A peça se passa no dia em que os pesquisadores chegam neste lugar (os espectadores estão alojados no subterrâneo fictício da capela), quando ocorre um desmoronamento do piso da capela e todos ficam presos, menos o motorista que fica do lado de fora. Acontecimentos míticos se dão com os pesquisadores no local, influenciados pelas forças misteriosas propagadas pelas pinturas que possuem características de várias culturas simultaneamente: ícones russos, incaicos, barrocos e dos cultos africanos. Os pesquisadores permanecem no subterrâneo durante três dias, após os quais são resgatados. A questão colocada pelo trabalho tem a ver com a necessidade da interação entre razão (consciência/consciência de si) e clarividência como condição para o desenvolvimento e transformação do homem contemporâneo. O título Brasil Subterrâneo quer dar a ver, de algum modo, a riqueza da miscigenação cultural no Brasil que, pelo olhar do grupo, ainda é algo que corre por baixo, não totalmente exposto em sua máxima potência.

© 2019 por Revista Ensaia

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